Os Homens dos Meninos
- Marco Junior
- 5 de mar. de 2024
- 3 min de leitura
“Era 95, fevereiro, carnaval.
Pai e vó num buteco, patrícia no hospital
Parindo um filho que não pediu pra nascer
Mas nasci!
Então aí vou eu e
Prepare você”
Com esse verso o rapper Sant inicia a música ‘O Tempo Passou’ que traz uma participação incrível e engajada do também carioca MC Marechal.
Na música os rappers falam sobre sonhos e objetivos, como chegar até eles e o que se passa no meio do caminho de quem busca uma posição alta na sociedade, mas vem dos lugares mais ‘distantes’ possíveis do que se diz o ‘mundo ideal’.
Essa música faz parte do primeiro ep de estúdio do rapper Sant, intitulado de ‘O Que Separa Os Homens dos Meninos’ e é exatamente sobre isso que eu veho falar hoje nesse texto.
Mas e aí, o que separa os homens dos meninos?
As gerações mais antigas entendem um ‘ser homem’ másculo, forte e por vezes, ligado ao trabalho braçal, o que é uma ilusão de um tempo que eles acham que foi bom e que não volta mais.
Um tempo onde a mulher vivia dentro de casa, passando e cozinhando, cuidando dos filhos e tinha pouca liberdade para os seus afazeres pessoais. Mas aqui nesse texto, eu vou falar um pouco sob a minha ótica e a minha vida, o que eu acho que separa os homens dos meninos e olha, você pode discordar, tudo bem, mas eu acho que vai te fazer pensar um pouco.
Em primeiro, o que na minha concepção faz um homem é a sua lealdade, para com os seus, mas principalmente para com as suas ideias e ideais. Por exemplo: em um mundo no qual nós vivemos, onde o que ‘manda’ é o capital, seguir com o objetivo de construir o seu sonho ao invés de construir um sonho de um patrão é totalmente difícil, principalmente pra quem vem de onde a gente vem e é por isso que eu acredito que isso te faz homem. Nessa aqui, ponto pra mim, sou homem.
Depois, são várias as coisas que te fazem ser um menino, como quando você não assume os seus sentimentos para você mesmo, demora pra perceber o quanto uma certa pessoa foi e é importante pra você e quando percebe isso, já não tem mais tempo de fazer nada. Fui menino.
Se abrir e ter com quem contar na hora de pedir um conselho, uma dica, ou até uma conversa mais profunda, não te faz homem, pois aqui seria só machismo da minha parte, mas te faz mais ser humano e se você que tá lendo entende isso como mais homem, outro ponto pra mim, sou homem. Não tenha medo de expressar seus sentimentos.
E muita coisa separa os homens dos meninos.
Um homem que acorda às 6h, entra trabalhar às 7h, chega em casa às 18h30, estuda das 19h às 22h30 e ainda tem tempo de construir seu sonho, ficando sem tempo pra dormir, na maioria das vezes, pra conquistar uma coisa que te tire da ‘engrenagem’, esse é um HOMEM.
Um que acorda às 6h, entra trabalhas às 7h, chega em casa às 18h30 e ‘descansa’ até o horário de dormir, por volta da 00h, esse é só um menino.
Meninos ainda sentem muito medo e nesse quesito eu sou menino muitas vezes, mas controlar os nossos medos até que você consiga passar por cima dele, te torna homem.
Ou se não, você pode deixar seus medos passarem por cima de você, ver o dia passando enquanto você tá deitado na cama, ou na frente da tela de um celular e não conseguir saber nem do que você tem ódio. Isso é tudo que o status-quo precisa: um jovem sem consciência de classe. Assim, eles continuam manipulando até como você bebe no fim de semana – ou você acha que uma adega em cada esquina, vendendo uma mistura que eles chamam de whisky, misturado com o pior energético possível, é coincidência.
Não é coincidência, a verdade é uma só desde sempre: eles querem que a gente morra.
E se você ainda não percebeu isso, aí você é um menino inocente.
Sem muito mais pra falar e um salve a Carlos Marighella. Homem!




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