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Luta Contra o Passado em Creed III

Atualizado: 13 de ago. de 2023

Recentemente saiu no cinema o terceiro filme da franquia Creed, que conta a ascenção de Adonis Credd (Michael B. Jordan), filho de Apolo Creed, da franquia de filmes Rocky.

O terceiro filme, conta a história de ‘Diamante’ Damian Anderson (Jonathan Majors), amigo de infância de Adonis Creed, que em uma briga de rua foi preso ao sacar uma arma para defender ‘Doni’ (Adonis).

O início do filme mostra Doni já aposentado e investindo o seu tempo e esforço no lutador sensação da Creed Academy, Felix ‘El Guerrero’ Chavez (José Benavidez Jr.), que começa o filme treinando na academia em que Doni é sócio.

Quando sai da academia para almoçar, Doni encontra um homem encostado em seu carro e o pede para sair, como se não o conhecesse. Então, Damian se vira e pergunta a Creed se o mesmo não o reconhece, já dando a premissa do filme e mostrando que em 18 anos preso, Dame (Damian) não esqueceu de Doni, mas que o hoje pugilista mundialmente famoso e multicampeão havia o ‘esquecido’.

Em uma conversa no almoço, Dame diz a Doni que ainda tem o mesmo sonho que tinha na última vez em que os dois se encontraram: ser campeão mundial de boxe e comprar uma corrente de diamente. Sendo assim, após uma primeira conversa um pouco mais profunda sobre a cadeia de um lado e a vida de atleta famoso do outro, Doni pede ao amigo que vá à Creed Academy para começar treinar, o que Dame faz e assim se inicia o enredo do filme.

Após o primeiro dia de treino, Bianca (Tessa Thompson), esposa de Doni, realiza um jantar em sua casa, para que os dois amigos coloquem o papo em dia e para que ela conheça mais um pouco sobre o amigo passado do esposo. Após uma pequena conversa entre os três, Bianca percebe um desconforto no ambiente e sai para que os dois conversem sozinhos, então Adonis leva o amigo à sua sala de troféus, Dame serve um whiskey aos dois e assim se inicia uma nova conversa, sobre boxe e vida.

O antigo amigo começa a conversa falando sobre o tempo em que passou na prisão e que em todo esse tempo, a sua meta era uma só: se tornar campeão no boxe; Dame também diz a Doni, que não está ali para ser ‘saco de pancada’ de treino na academia e pede para que o amigo o coloque em uma luta oficial, o que de início, Doni titubeia e diz que não é fácil, mas mantém o pensamento em sua cabeça.

Em uma festa da gravadora de Bianca, a qual a mesma já havia convidado Dame para ir, Viktor Drago se envolve em uma briga com ‘El Guerrero’ e tem o seu braço quebrado em vários lugares, o que afeta a luta que os dois atletas fariam numa data perto.

E aqui começa a luta contra o passado no filme. Após a lesão de Drago, Adonis tem a ideia de colocar na luta contra ‘El Guerrero’ o então amigo, Dame, a contragosto de um dos sócios da academia e seu eterno técnico, Duke (Wood Harris). Porém, o intuito de Adonis colocar Dame contra o lutador da Creed Academy é não perder a data da luta, na qual patrocinadores já estavam pressionando devido a lesão de Drago. Na noite da luta, Creed visita ‘El Guerrero’ em seu vestiário para desejar boa sorte à luta, entendendo que ‘El Guerrero’ venceria a luta. Logo após, Doni vai até o vestiário de Dame, onde os dois tem uma pequena conversa, Dame agradece a oportunidade e Doni o responde:

  • Só vai lá e mostra o que sabe.


Na luta, Dame começa perdendo para ‘El Guerrero’, que é atual campeão mundial de boxe, está mais em forma e é mais novo. Mas uma reviravolta na luta coloca Dame a frente e o lutador até então ‘amador’ difere vários golpes fortes e sentidos por ‘El Guerrero’, até que, em uma sequência de golpes, Dame nocauteia Chavez e se torna campeão do mundo no boxe.

Creed então sobe ao ringue, preocupado com a segurança de Chavez, que é sua ‘galinha dos ovos de ouro’ e lutador prodígio de sua academia e após ser chamado por Dame, para comemorar junto com o amigo o título mundial, Adonis vira a cara, desce do ringue com Chavez e vai embora sozinho em seu carro.

Dentro do carro, Adonis recebe uma ligação de sua mãe Mary Anne (Phylicia Rashad) que o chama até sua casa.

Chegando a casa de sua mãe, Adonis descobre que a mesma o escondeu, pelos 18 anos em que Dame esteve preso, todas as cartas que o então recluso havia enviado ao filho, contando os dias passados na prisão, orgulhoso das lutas de Creed e, depois de um tempo sem respostas, ‘desafiando’ Creed quando o mesmo saísse da cadeia.

Após descobrir tudo, Creed vai até a casa de Dame, onde acontece uma festa e após ter uma arma apontada para si, Creed começa uma conversa dura com o amigo, mostrando uma foto de Dame junto com o então ‘assaltante’ que agrediu e quebrou o braço de Drago, assim dando abertura para que o lutador tomasse o lugar de Drago na luta pelo cinturão.

Após levar um soco na cara e ouvir que Dame não precisa mais de você, Doni chega à sua casa e decide que passará a história a limpo, já que o agora ex-amigo, Dame, dá entrevistas em que cita Creed e diz que o ex campeão abandona os seus e não é uma pessoa leal.

Para passar a história a limpo, Creed vai à um programa de televisão, o maior no cenário do boxe, afim de explicar tudo o que aconteceu com os dois. Porém, nesse momento, Dame assiste ao programa, já sabendo da entrevista de Doni e liga no telefone do programa, ao vivo, para falar ‘poucas e boas’ para Creed em rede nacional.

Já nervoso com toda a situação, Adonis perde a cabeça e desafia Dame ao vivo, para uma luta valendo o título mundial e abandona o programa. E aqui...

Aqui começa a maior batalha da história do cinema.

O filme nessa parte tem uma edição espetacular, mostrando os dois lutadores realizando os mesmos treinos, porém em takes diferentes, dando a entender que os dois lutadores estão arduamente com a mesma gana para ganhar essa luta.

Em um dos treinamentos de Adonis Creed, Duke convoca Drago, já recuperado de lesão para ser a dupla de treino e sem resistência, com um físico já abalado e com a idade um pouco mais avançada, Creed LEVA UM PAU do lutador russo, mas nem tudo são derrotas... Creed então, retira o seu capacete, levanta da lona através das cordas, se dirige a Drago e diz:

  • Vai aonde? Acabou de começar!

E ali se inicia o treino entre os dois lutadores. O que, assistindo ao filme, me fez pensar, caro leitor: caso você tenha assistido a Creed 2, imagina um treino com a PAN-CA-DA-RIA que ocorreu entre Creed e Drago no segundo filme da franquia. Após longos e incansáveis treinos, chegamos enfim ao fim do filme, que até aqui já havia mostrado algumas coisas. Entre elas: o enredo do filme é muito real e palpável, ou seja, o que acontece durante o longa, poderia facilmente acontecer na nossa realidade e Michael B. Jordan tem talento de sobra para dirigir um longa, já que esse, foi o primeiro completamente dirigido pelo artista hollywoodiano.

Na luta final, Dame entra como o defensor do cinturão, enquanto Adonis, longe de entrar como azarão, entra mais como um ex campeão que busca provar a todos que ainda é o melhor, e provar ao seu novo possível algoz, que chegou onde chegou por competência e constância, não só por estar nos lugares certos, nas horas certas e, muito menos, por ser filho de Apolo Creed. Primeiro Round. A luta aqui é muito estudada e os dois lutadores buscam se conhecer dentro do ringue, porém, com mais golpes encaixados, Dame sai vitorioso do round. No segundo round, Creed começa a impor o seu modelo de luta e após conseguir encaixar várias sequências de golpes que machucam e fazem Dame sentir a luta, Adonis grita em meio ao round:

  • Achou que ia ser fácil?


Fim de round. Um a um. E então chegamos ao ponto alto do filme e, pra esse mero mortal que os escreve, uma das melhores cenas já feitas para um longa-metragem.

Retomando um pouco à história do filme.

Doni e Dame são amigos, que se conheceram no reformatório e nunca mais pararam de andar juntos, dando sempre apoio um ao outro, principalmente nas lutas amadoras de boxe, em que Creed ainda nem havia começado a participar, mas onde Diamond já era o ‘rei dos ringues’.

Em uma noite, Doni encontra na rua o ex-algoz, dono da casa de recuperação em que o mesmo dividia o quarto com Dame. Doni então, espanca-o. Enquanto isso, vários capangas do homem que acabou de apanhar chegam e ameaçam Doni, que possivelmente, seria espancado pelos homens e para não deixar que isso aconteça, Dame saca um revólver e ameaça os capangas.

Com a chegada da polícia ao local, Dame é preso por porte de arma e num lapso de desantenção de todos a sua volta, Adonis consegue fugir, sem dar muitas explicações e deixando que o amigo vá preso ‘sozinho’.

Décimo primeiro round. Luta empatada. Até que...

Numa ideia genial, o filme coloca Doni e Dame frente a frente dentro do ringue. Ainda nos corner’s, um olha de frente para o outro como se não existisse mais nada em volta. Somente os dois, suas versões adultas, que estão se digladiando em cima do ringue e, num sinistro insight do diretor, as lembranças de suas versões jovens, que eram amigos inseparáveis e estavam sempre lutando um pelo outro e não um contra o outro, como se vira ali.

Soa o gongo e se inicia o décimo primeiro round...

Ainda sem nada em volta, os dois lutadores partem para a trocação franca, como se só existissem os dois e suas dores ali. Em volta do ringue, começam a ‘surgir’ grades, representando não só a prisão de Dame, que passou 18 anos recluso, mas também a prisão de Doni, que não conseguia se livrar de seus fantasmas do passado e estava aprisionado em uma ideia de esquecer quem ele era na sua juventude.

O foco da cena é total no ringue e na luta dos dois personagens, mostrando que ali dentro, eles não pensavam em mais nada a não ser em resolver todas as pendências que existiam entre eles.

A cada soco durante essa cena a tensão triplica, devido ao jogo de câmeras e a edição que mostra de perto o ódio no olhar dos personagens, principalmente de Dame, que parece lutar por algo bem maior naquela luta do que somente o cinturão de melhor peso-pesado do mundo. Após aproximadamente 5 minutos de cena, onde só os dois atores contracenam, praticamente sem nenhuma fala, Dame vence o round, que termina com um ‘golpe duplo’, onde os dois lutadores acertam a face um do outro. O último round, como todo mundo já sabia desde que o filme se iniciou, teria que ser de Adonis Creed, já que o filme não tem o nome de ‘Diamond’, porém, em um round marcado por socos violentíssimos e provocações que chegam ser para o espectador até estonteantes, Diamante acerta o rosto de Creed e com um golpe poderoso no abdômen leva o lutador à lona. Dame, do outro lado grita:

  • Levanta, garoto.

Adonis levanta, segue o round após a confirmação do juiz e assim, já que o filme é seu, encaixa uma sequência de golpes no rosto de Anderson, que vai à lona nocauteado.

Adonis Creed é o novo campeão dos pesos-pesados e confirma que é o rei do boxe.

Após a luta, o vestiário de Adonis está em festa, porém o mesmo não se encontra na mesma sintonia dos demais e vai até o vestiário de Dame.

Adonis então se senta ao lado de Dame, pede perdão ao amigo, que responde que nada daquilo é culpa dele, já que os dois eram só ‘crianças’. Creed então diz ao amigo, que a culpa também não é dele e a última cena dos dois no longa, mostra um cumprimento de mãos que os dois faziam antes da prisão de Dame e também com Doni dizendo que, caso precisasse, o amigo saberia onde o encontrar.

Doni então sai do vestiário, volta ao ringue, onde encontram sua esposa e filha, que o ‘desafia’ e o ‘vence’ em uma luta, se segrando ‘campeã’. E assim se encerra um dos filmes quais esse que vos escreve mais gostou de assistir nos últimos tempos.

Creed 3 traz uma experiência única para uma franquia (contando Creed e Rocky) que para muitas gerações foi sinal somente de violência e pancadaria.

O filme traz em seu roteiro discursos como a realidade dos negros nas ruas – não só nos EUA, obviamente – que estão sujeitos a injustiças atrás de injustiças, recuperação e ressocialização, mostrando que Dame, como ex-detendo, não só poderia, como virou campeão mundial de boxe, a volta por cima e principalmente, o perdão, que fica escancarado durante o filme inteiro e mostra a sua cara na última cena em que os lutadores se encontram.

Creed 3 é uma ótima experiência cinematográfica, não só para os amantes das artes marciais e seus filmes, mas também para quem busca um drama recheado de ação e de críticas que fazem parte do nosso dia-a-dia.

Aliás, será que esse final de filme não nos deixa aberta a possibilidade de termos Amara Creed como uma futura pugilista em um filme solo? Quem sabe.

No mais, esse que não é crítico de cinema e nem especialista no assunto, deixa uma nota 10 ao filme que, além das 3 vezes assistido para compor esse texto, com certeza será assistido mais dezenas de vezes.

Chegamos ao final leitor. Se gostou deixa um like aqui embaixo, comenta, manda o link para os amiguinhos e compartilhe o post sobre essa resenha no seu instagram. Considere também apoiar um artista independente – vulgo eu – através do pix: 14991863793 | Marcco Junior | C6 Bank.

Valeu e até o próximo!

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