Não cai e nem escorrega!
- Marco Junior
- 27 de jan. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 13 de ago. de 2023
Bezerra da Silva, nasceu no Recife-PE, filho de um marinheiro e de uma dona de casa, no ano de 1927.
Conheceu a música ainda criança, quando fez aula de alguns instrumentos, mesmo escondido, devido à sua mãe e o seu padrasto considerarem a música ‘coisa de vagabundo’.
Quando tinha 15 anos, José Bezerra da Silva, entrou na Marinha, pois o seu pai já era marinheiro e a falta de outros empregos fez com que o mesmo virasse marinheiro para conseguir um salário para ajudar a família.
Após quase dois anos de marinha, Bezerra sofreu um abuso de um oficial de mais alta patente e ficou ‘enputecido’, indo para cima do oficial, arrumando um verdadeiro ‘perreco’ na Marinha Nacional e assim, acabou sendo expulso.
Quando voltou para a casa, sua mãe e seu padrasto disseram que se o mesmo não arrumasse um emprego, teria que ir embora de sua casa. Foi aí que Bezerra da Silva tomou uma importante decisão em sua vida: entrou em um navio para o Rio de Janeiro e foi em busca de seu pai, para que o mesmo pudesse lhe arrumar um emprego e um lugar para ficar, porém, em menos de uma semana, o menino de 15 anos teve um atrito com a sua madrasta, o que gerou a terceira expulsão da vida de Bezerra, causando uma das piores coisas que pode acontecer na vida de uma pessoa. Bezerra da Silva foi morar na rua.
Perambulando pelas ruas de Copacabana durante 7 anos, o menino conheceu o lado mais perigoso e sombrio da vida. Vivendo nas ruas, as drogas, a violência e tudo que envolvia e rodeava o crime, estava à sua volta também.
Quem o tirou da rua, foi a Umbanda.
Bezerra encontrou num terreiro a paz necessária que procurava para poder começar uma vida tranquila e foi aí que o mesmo voltou ao seu antigo contato com a música.
Algum tempo depois, conheceu um amigo que o apresentou o tamborim e o levou para tocar nos sambas da vida, abrindo caminho para que Bezerra pudesse tocar na Rede Globo de Televisão, aonde a partir dos anos 1970 foi contratado para tocar na banda da emissora, o que fez com que Bezerra d Silva ficasse cada vez mais conhecido no meio da música e foi assim também, que já após os 40 anos, Bezerra gravou o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Rei do Coco” – ritmo tipicamente nordestino que é um pouco mais acelerado que o partido-alto.
Bezerra tinha uma ligação fora do comum com a favela e já no início de sua carreira, passou a ser conhecido como ‘A Voz do Morro’, devido ás suas fortes músicas – que contavam a realidade da favela – ficando falado na elite brasileira como “cantor de bandido”. E o próprio, disse o que achava do apelido carinhoso que o foi dado pela parcela rica da população.
“Como eu digo a realidade que dói, eles (elite) dizem que eu sou cantor de bandido!”
E em algumas entrevistas, também comentava o seu jeito de ser e de falar sempre a verdade e cutucar a ferida no fundo.
“Não tenho papas na língua...quem não gostou come menos, que ainda faz bem pra saúde!”
O homem ainda foi tomado como “pai” por ritmos do underground brasileiro nos anos 90, sendo gravado por Frejat a frente do Barão Vermelho na faixa “Malandragem Da UmTempo” e até se apresentando no VMB junto com a banda de rock, quando Martinho da Vila subiu no palco com um baseado na mão para chamar ao dueto.
Numa entrevista, o rapper Marcelo D2 disse que para o rap do Brasil. Bezerra da Silva foi como James Brown para o rap dos EUA.
Bezerra da Silva morreu em 2005, no Rio de Janeiro, deixando uma extensa discografia de 35 álbuns e mais de 3 milhões de cópias vendias. Com elas ganhou:
11 discos de ouro;
3 discos de platina;
1 disco de platina duplo.
Bezerra se foi e o que ficou foi a história, visto como a cara do ‘malandro do morro’ em uma de suas últimas entrevistas, disse o seguinte:
“Não bebo, não fumo, durmo cedo. Eu não vou pro pagode!”
E em uma das mais icônicas entrevistas de sua carreira, deixou explícita a sua mensagem, quando disse que:
“O morro fica com o flagrante, com inquérito e a rapa. Não tem nem direito de cheirar da pura!”
Criticando a repressão das polícias e do estado somente na favela.
Ele foi, mas deixou pra nós o que melhor alguém pode deixar quando parte: uma lição!
Esteja onde estiver, muita fé, Seu Bezerra!




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