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A música sempre foi PRETA!

Atualizado: 4 de mar. de 2023

Bom, vamos começar hoje explicando o que é música, tipo, no dicionário mesmo.

Música: 1. Combinação harmoniosa de sons.

2. A arte de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variáveis conforme a época, a civilização, etc.

A música surgiu na África, em algum lugar onde hoje é o Egito, a aproximadamente 50.000 anos atrás, quando a humanidade começou a se reunir em grupos. Acredita-se que, à época, a combinação de sons e o silêncio, era a forma de se comunicar com os seus deuses.

Nos dias de hoje, é difícil acreditar que alguém consiga viver sem música, pois ela está em todos os lugares em que nós também estamos e com a evolução da internet, a disseminação desse tipo de conteúdo faz com que a indústria cresça cada dia mais.

Tá, Marcco. Mas o que faz a música ser estruturalmente preta, além do fato de ter nascido na África? Vamos lá.

No filme e música de introdução de seu álbum “BLVESMAN”, Baco Exu do Blues, rapper baiano diz:

“A partir de agora considero tudo blues

O samba é blues, o rock é blues, o jazz é blues

O funk é blues, o soul é blues, eu sou Exu do Blues

Tudo que quando era preto era do demônio

E depois virou branco e foi aceito, eu vou chamar de blues

É isso, entenda:

Jesus é blues!”.

E vale lembrar que Jesus nasceu na Judéia, então é impossível ele ser loiro, de olho azul, mas não é disso que a gente veio falar aqui hoje, então, voltamos à música.

O funk e o rap começaram a ganhar cada vez mais espaço nos dias de hoje e então começaram a aparecer os “bailes de favela” que não são na favela.

Em alguns lugares, onde vemos esses estilos musicais hoje, o público é majoritariamente branco e de classe média alta e isso é normal, hoje ser preto é moda. Querem se vestir como nós, andar como nós, falar como nós e então também querem ouvir a nossa música. Mas e viver como nós?

Esses dois estilos musicais citados acima, ainda hoje sofrem muito preconceito, veja que é comum que a polícia esvazie manifestações culturais envolvendo funk e rap, isso quando não fazem chacinas em locais que tem por cultura esse estilo de música, como aconteceu na favela de Heliópolis em São Paulo, onde 9 jovens não voltaram de um baile funk por serem “pisoteados”.

Agora, e se eu te disser que isso não é exclusivo nesses dois gêneros?

Vamos agora falar de uma música composta em 1938, por Tio Helio e Nilton Campolino, dois sambistas negros do RJ, que usavam a música com ferramenta para criticar a violência policial no governo Vargas. A música “Delegado Chico Palha” traz a história de um policial fictício (mas que poderia ser qualquer delegado da época) que ‘não prendia, só batia’ e ‘acabava a festa a pau e ainda quebrava os instrumentos’ quando encontrava uma roda de samba pelas ruas do Rio de Janeiro.

O samba foi um dos gêneros que mais sofreu repressão no Brasil, pelo simples motivo de cantar a verdade do povo brasileiro. A verdade que sufocava e ainda sufoca a elite porca do nosso país, aliás: “dizem que eu sou malandro, cantor de bandido e até revoltado, somente porque canto a realidade de um povo faminto e marginalizado, mas na verdade, eu sou um cronista, que transmite o dia-a-dia do meu povo sofredor e dizem que gravo música de baixo nível, porque fala a verdade que ninguém falou”, salve seu Bezerra, onde estiver.

Recentemente, em uma entrevista fora do país, a cantora ícone do POP mundial, Anitta, disse que o funk é o funk, pq é aquilo que o funk vê e isso não é só nos dias de hoje.

Por volta dos anos 20, nos EUA, surgiu um novo estilo de música, com batidas fortes de guitarra e um jeito singular de cantar, com muitos drives de voz e muita liberdade no canto, se levarmos em consideração os estilos musicais da época. Esse novo estilo era o ‘Blues’, imortalizado em vozes como a de Robert Johnson, Gary B. B. Coleman, entre outros.

Eu, escrevendo esse texto e tomando uma dose de whisky, tenho uma certeza: você já ouviu falar da lenda do diabo na encruzilhada (lembrou, né rs), então e se eu te contar que essa lenda foi inventada somente pra dizer que um preto não tinha capacidade para ser o melhor guitarrista de sua época e mais, isso ainda foi usado para capturar, prender e matar vários bluesman’s (como eram chamados os cantores de blues) na época. O Blues era a ‘música do diabo’ simplesmente por ser uma música de PRETO!

Anos depois, um novo gênero musical surge com muita referência do blues, esse gênero era o Rock, que nasceu das mãos de um (rufem os tambores)...PRETO.

Chuck Berry é ainda hoje venerado no meio da música, mas quando a indústria precisou eleger um ‘rei’, voilá: Elvis Presley.

E isso sempre acontece, podemos falar de vários nomes que deveriam ser bem mais valorizados do que são e então, aqui falaremos esses nomes.

Salve: Wilson Simonal, Tim Maia, Dione Warrick, David Elliot, Erikah Badu, Seu Jorge, Djavan, Kendrick Lamar, entre muitos outros, além dos que já foram citados no texto.

E pra finalizar, citaremos um último, com um nome que nos faz lembrar que sim, SOMOS REIS: Abebe Bikila, ou BK: “cês tão esperando minha versão branca chegar...” e vão morrer esperando!

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