Música, política e vida.
- Marco Junior
- 1 de fev. de 2023
- 15 min de leitura
Atualizado: 13 de ago. de 2023
Falando de Froid e Bjork.
Bom dia, boa tarde ou boa noite. Eu não sei que hora você vai ler isso e também nem sei se muita gente vai ler isso, mas até aí, foda-se, eu realmente não ligo. Isso aqui é só mais um jeito de eu fazer com que a arte saia de mim, de alguma forma (realmente eu acho mais fácil escrever do que fazer qualquer outra coisa na vida).
Nesse texto que segue, você vai encontrar lamentações, opiniões (que podem ser totalmente diferentes das suas) e um pouco de agradecimento. Tudo isso enquanto eu tô com a ponta de um baseado na boca e ouvindo Froid.
E já que eu citei o Froid, eu vou começar falando dele e de uma música - na realidade um verso – que na minha opinião, é o melhor do rapper.
Na música ‘Peita de dar rolê’, o rapper mineiro/brasiliense entra no segundo verso dizendo o seguinte;
‘Eu dividi a capa do jornal com a Bjork e eu só pude ler do day-off'.
Essa frase representa muito bem o que é a vida de um artista. Agenda cheia, cansaço físico e mental e o prêmio a ser alcançado.
A cantora Bjork, hoje com 57 anos, é com certeza uma das pessoas mais influentes do seu país, a Islândia, por ter ganhado o Polar Music Prize, que é equivalente ao Prêmio Nobel da música, ou seja, Bjork é uma cantora e compositora com imensa fama no cenário mundial. A cantora foi pilar de uma discussão sobre ‘fandon’ (na época não chamava assim) em 1996, quando um maluco de um stalker, gravou um vídeo de 21 horas, na qual produziu uma carta-bomba que enviou para a casa da cantora, com a intenção de pelo menos, desfigurá-la. O jovem de 21 anos encerrou o vídeo cometendo suicídio ao som de uma música da cantora.
Bjork, foi com certeza, uma das pessoas mais influentes do final dos anos 1990 e para o Froid, estampar a capa de um jornal com uma cantora dessa importância, com certeza foi a certeza de um sonho realizado, porém ao mesmo tempo, o mesmo conseguiria ver a capa do jornal, somente no seu dia de folga. Entre shows, gravações, entrevistas e outras agendas mais, a vida do artista sempre é uma loucura e isso não era diferente antes da fama.
Como eu entendo música.
A música é uma arte completamente egoísta, ela não espera nada menos do que 100% de você e qualquer porcentagem a menos que essa, você pode ficar pelo caminho, assim como milhares, ou até milhões. Acredita-se que a música nasceu há mais ou menos 50.000 anos, no continente africano.
A música sempre foi parte importante e estrutural na vida da sociedade, já que através dela, sempre se contaram histórias, que atravessaram gerações contando – principalmente – o cotidiano de certas comunidades. E no Brasil, não iria ser diferente.
A música no Brasil teve um papel fundamental no desenvolvimento sócio-cultural e econômico, principalmente nas periferias, onde surgiram no Brasil artistas como Tim Maia, Jorge Bem Jor, Jorge Aragão, Racionais MC’s, Emicida e o prórpio Froid citado acima.
Esse que vos fala é mais um, que nasceu com o dom (ou maldição pra alguns) de contar histórias e essa aqui é mais uma delas, contando um pouco sobre o que a música significa pra mim.
Minha família e a arte.
Não é segredo pra ninguém que existem famílias e mais famílias disfuncionais por aí, porém no meio disso, principalmente nas periferias, a cultura é muito presente e no meu caso não foi diferente.
Crescendo praticamente dentro de um bar, já que eu morava aos fundos da casa da minha avó, que era um sobrado em que na parte de baixo a dona Áurea ‘tocava’ o seu bar, a música sempre foi muito presente na minha vida, desde criança.
Meu pai, tocou por muito tempo em Escolas de Samba (no repique puxando a bateria), um dos meus tios até hoje é DJ e tem uma rádio online, um outro tio, se formou em Artes Cênicas e foi através desse que eu passei a conhecer o rap, primeiramente o lá de fora, dos EUA, já que ao ouvir esse meu tio escutando aquelas músicas com um ritmo incrível, comecei a pedir que ele gravasse algumas músicas no CD virgem pra mim.
O meu primeiro contato com a música foi em um comercial de TV, no qual se anunciava o CD ‘Djavan - Novelas’ com uma coletânea de músicas incríveis do mestre. Àquela época, uma criança com os seus 6 ou 7 anos, era acostumada a crescer ouvindo ‘Xuxa Só Para Baixinhos’, que eu também ouvia, mas foi ali no Djavan em que eu passei entender o que era música.
Já um pouco mais velho, com a coqueluche da novela ‘Rebelde’, passei a escutar um novo tipo de música, mais dançante e diferente do que eu tinha ouvido até então.
Até que vai chegando perto de um dia das crianças e o meu pedido foi: ‘Quero todos os CD’s da RBD’.
A música sempre esteve envolvida em minha vida, até que um dia, fuçando alguns livros na minha casa, achei um livro de autoajuda (uns livretinhos que tinham várias coisas) que continham algumas poesias de poetas importantes do Brasil e enquanto eu lia algumas poesias, o meu jovem cérebro pensava: ‘eu também consigo fazer isso aqui’. E assim nascia a paixão por rimas e a vontade de fazer música.
No começo, eu lia as poesias colocando algum ritmo musical que surgia na minha cabeça, cantando as letras das poesias, principalmente em ritmo de samba e pagode, gêneros que àquela altura, eram os que eu mais escutava.
No meu último dia de aula no ensino fundamental, percebi que eu não veria mais a maioria daqueles amigos e colegas que estudaram comigo por vários anos e naquele dia, nasceu a minha primeira música autoral, falando sobre amizade.
A partir daquele dia, eu nunca mais parei.
Começando a cantar.
Um pouco mais tarde, comecei a cantar com meus primos que tinham um grupo de pagode e comecei a receber elogios de todas as pessoas daquele círculo social – que por vezes eram da mesma igreja na qual eu ia e meus primos também, até que recebi um convite de participar de um show de talentos que ocorreria na igreja.
Naquele dia, que foi o primeiro em que eu me vi num ‘palco’, cantando pra centenas de pessoas, me apresentei em um dueto de voz e violão com um dos meus primos, que tocava violão (eu não toco nada de corda até hoje). Tocamos uma música do Charlie Brown Jr., uma do Luan Santana e terminamos o show de talentos com a terceira posição. Coisa que até hoje eu acho uma injustiça, mas não vem ao caso.
A verdade é que foi ali que eu entendi o que eu queria pra minha vida: cantar e compor.
Desde então, sigo na vida de artista pobre.
Sou aquele que por muitas vezes faz lançamentos fracos, porém com o único intuito de tirar a minha arte de dentro de mim e fazer com que alguém que precise daquilo, ouça.
Nesse momento, estou há 1 ano trabalhando sozinho, fazendo música e trabalhando na minha área (sou designer e diretor de criação). Têm sido um caminho difícil, muitas vezes só com o dinheiro das contas e algumas vezes, nem esse. Porém, acima de qualquer coisa, eu acredito muito em mim e ainda mais na minha arte. Sei que o foco é o corre e que o dinheiro é consequência.
O que mais importa é que até agora eu não desisti e pra quem acha que eu vou, pode continuar achando sozinho, porque se eu tiver que morrer por isso, eu vou.
A música sempre foi nossa, sempre foi de que vem do nada, mas com muita disposição para fazer o que se propõe. A música é política por si só.
Música e política se misturam?
Pegando esse gancho, vamos falar um pouco sobre política e como ela interfere – ou não - na vida de artistas que vem de onde eu venho.
Normalmente, quem nasce nas periferias, quebradas e favelas do Brasil, tem poucos meios de ascensão social, entre eles o futebol e a arte. Mas porquê isso acontece? A resposta é simples: falta de educação básica e falta de incentivo dentro das comunidades. E eu não tô falando desse governo ou de outro.
O fato é que dentro das favelas, se tem prédio para construir UPP’s, DP’s, ONG’s (que são muito importantes na sua colocação), mas não se tem prédios para erguer escolas e ainda assim, quando algumas favelas contam com escolas grandes para as crianças e os adolescentes, faltam projetos que incluam aquelas pessoas na sociedade civil como ser social e em alguns extremos casos, se tem que colocar ‘placas gigantes’ em seus telhados, com os dizeres: ‘não atirem. Escola!’
A educação dos mais pobres.
O primeiro ponto em que vamos tocar, é sensível e discutido há muitos e muitos anos, a grande curricular. De 2016 pra cá (‘coincidentemente rs’ ano do golpe em Dilma), o currículo escolar vem sofrendo grandes boicotes, como o corte de disciplinas como filosofia e sociologia das grades dos ensinos fundamental e médio de muitos institutos federais e estaduais, além de um gigantesco corte na educação superior, com a desculpa de que as Universidades Federais viviam de balbúrdia, maconha e marxismo cultural. É, marxismo cultural. E a galera que denuncia isso, provavelmente, nunca tenha lido um parágrafo do Marx na vida.
O orçamento para a educação básica no ano de 2023 é de R$60,5 bi, menos da metade do orçamento para a educação no ano de 2016, que foi de R$129,8 bi.
O cerne da educação é a criação de um pensamento crítico perante a formação da sociedade e tirar disciplinas como a filosofia e a sociologia da grade curricular, é parte importante de uma ‘ignorização’ da sociedade, já que essas duas disciplinas são as principais criadoras de um pensamento crítico na sociedade.
A falta de investimento do Estado em projetos sociais, também é parte importante da destruição dessa formação do ser político dentro das periferias, já que as periferias são criações de um contexto histórico, que no Brasil remete, principalmente a escravidão e ao racismo estrutural, tão debatido nos últimos anos.
Acabar com a criação de um pensamento crítico desde a infância, faz parte de um projeto de poder, da extrema-direita mundial, que visa transformar os mais ignorantes em massa de manobra, utilizando do ‘tradicionalismo’ e criando pânico moral em cima de temas como a defesa dos direitos civis de negros, indígenas, mulheres, lgbtqia+ e de outras minorias, que mesmo sendo maiorias na população, se veem com ‘menos força’ em suas lutas, já que muitos dos seus iguais, foram induzidos a acreditar que essas lutas são apenas identitárias e não uma luta em comum para todo o povo.
Ordem da extrema-direita.
Nos últimos dias, o vereador paulista, Fernando Feriado (Holiday) sofreu com ofensas racistas e homofóbicas e como sempre, a ‘culpa’ foi da esquerda petista. Porém, quando a pesquisa se aprofundou, foi descoberto que as ameaças partiram de um bolsonarista, que fazia publicações neonazistas e que pregava nas redes contra os direitos das minorias. Ou seja, mesmo que alguém - em tese – como nós esteja no ambiente deles, ainda assim, seremos os primeiros a serem ameaçados e consequentemente, os primeiros a serem mortos. Então, como disse a Leci no último ‘Favela Vive’, sejamos todos Zé do Caroço, ou se não, só estaremos nos matando entre si. Seja fisicamente ou intelectualmente.
Falando sobre vida.
Assim, entramos no último tema desse singelo texto que eu venho escrevendo há vários dias e o tema é a vida. Mas e a vida o que é? Diga lá, meu irmão. E é isso que eu me proponho a fazer daqui para o final. No dicionário a vida é um substantivo feminino que sintetiza um conjunto dos hábitos e costumes de alguém, ou ainda, a maneira de viver de um indivíduo. A palavra vida, vem do latim ‘vita’, que é o estado de atividade incessante comum aos seres organizados. Por extensão, é o tempo de existência ou funcionamento de algum ser ou coisa.
O fato é que a vida é muito mais do que ‘o período que decorre entre o nascimento e a morte’, como algumas doutrinas pregam e fecham seus seguidores a isso.
Em 2002, o grupo de rap Racionais Mc’s lançou o álbum ‘Nada Como Um Dia Após o Outro Dia’, que contava com a faixa ‘Vida Loka (parte 2)’ e essa faixa conta com um verso – na realidade um questionamento – do rapper Mano Brown, que faz com que, ao menos, nós paremos para pensar. O verso é o seguinte:
‘Tempo pra pensar. Quer parar? Que cê quer? Viver muito como um Rei? Ou pouco como um zé?’
Já no ano de 2016, nosso querido (e melhor rapper brasileiro no momento) Abebe Bikila, vulgo BK, lançou o seu primeiro álbum de estúdio, Castelos e Ruínas e, nesse álbum BK trouxe uma música com um teor pesadíssimo, na qual fala sobre o quanto quem vem dos lugares menos favorecidos, nascem e crescem com o sonho da ‘ostentação’, que não passa de uma palavra descontextualizada, pra diminuir as vitórias nas lutas, principalmente do povo negro, já que essa ostentação, deveria ser só o básico pra todos.
A música? Quadros. E uma grande referência.
Lembra lá em 2002? Quando o Brown lançou aquele verso que eu deixei ali em cima. Eram 14 anos antes do lançamento de Quadros, na qual, já no começo da música, o rapper carioca diz:
‘Viver pouco como um Rei ou muito como um zé? Essa ainda não sei responder!’
E o poder de síntese dessas duas frases, quando juntas, é gigantesco. E por isso, embasarei o tema ‘vida’ nessas duas ‘versões’ do mesmo verso.
Mesmo com uma diferença de 14 anos, o rapper BK, ainda não tinha uma resposta pro questionamento feito pro Brown, no comecinho do século.
O que pode dizer que 14 anos depois, a vida do negro no Brasil não mudou em nada.
São as mesmas lutas, os mesmos perigos, a mesma ambição e a mesma vontade, quase que única, que meio que ‘move’ os negros no mundo todo, mas a gente já fala sobre isso.
Na virada do ano de 2021, pra 2022, a família estava reunida na casa da dona Áurea, a grande matriarca que, ainda hoje, no auge dos seus 77 anos, ama ver os filhos, os netos e ama mais ainda quando todos estão juntos. E naquele momento, logo após eu ter estourado uma garrafa de espumante, um dos meus tios soltou uma frase que eu tenho quase certeza que muitos aqui já ouviram, porém de uma maneira diferente. Naquele momento de festa, comemoração e tranquilidade, esse meu tio, disse o seguinte: ‘O que eu quero pra esse ano é ganhar dinheiro e ficar vivo’. Lembrou de alguma coisa?
‘Faça dinheiro, se mantenha vivo [...]’, disse Leall, na música homônima à frase, naquele 2021 que já ia embora.
A minha vida.
E chegamos, enfim, na minha vida. Meus ideais, minhas lutas, minhas verdades, minhas ambições, minhas mortes diárias, minhas poesias e músicas e tudo mais que me envolve. Aqui, voltamos (eu e você leitor) àquela diferença de 14 anos entre o som do Brown (Racionais) e o som do BK, dizendo que de lá pra cá, se passaram mais seis (quase sete) anos e, entre um golpe de estado (disfarçado de constitucional), a alienação proposital de alguns dos menos favorecidos, a eleição de um neofascista e da sua ‘turma’, um genocídio durante uma das piores pandemias da história da humanidade e a devastação de todo progresso que o nosso país pensou em ter um dia, eu chego hoje ao final desse texto, com a minha resposta na ponta da língua. Eu prefiro viver pouco como um rei.
E você pode estar aí do outro lado da tela pensando: ‘nossa, mas poderia ter escolhido viver muito como um rei’ e eu até te entendo, mas pra quem vem de onde eu venho, com as oportunidades que nos ‘sobram’, não há essa terceira opção. Então, dentre as duas, escolhi a melhor.
Eu, Marco Antonio de Paula Junior, hoje tenho 25 anos, já trabalhei como diretor de criação em duas agências de publicidade relativamente grandes, para os parâmetros das cidades em que elas se encontram, tenho um portfólio que transmite experiência e uma técnica boa, para quem atua na mesma área que eu e, nas duas agências em que trabalhei, entrei exercendo um cargo menor do que o cargo que eu saí, por isso eu tenho a plena certeza da minha capacidade em exercer esse trabalho, no qual eu estudo tanto.
Fora isso, eu tenho uma carreira musical, que entra em 2023 completando 5 anos, no dia 8 de Janeiro.
Entre alguns beats de uma produtora que me chamou pra trabalhar e me deu um cano e vários outros buscados na internet, sempre tô me virando pra gravar, seja no celular, seja em algum home studio, como é no caso da banca que hoje eu faço parte, a Janin MOB. O importante é trabalhar.
Hoje, eu não vivo da música, porém, já paguei contas com o dinheiro que vem dela, que ainda é pouco, mas o trabalho para virar muito está sendo feito. Pesquisem no youtube ou na sua plataforma de streaming preferida por Marcco Junior (artista verificado, tá?), se inscrevam, sigam as páginas dos app’s, adicionem às suas playlists e escutem muito, porque eu preciso do dinheiro (escutem mesmo kk).
Porém, esse 2023 começou totalmente bagunçado.
No final de 2022, eu saí da agência na qual eu trabalhava. Pedi as contas e resolvi trabalhar com a minha ‘eugência’, a Loader Group.
No começo, alguns clientes que já eram da agência migraram e vieram trabalhar comigo, alguns outros entraram e eu, como a maioria dos nossos, vislumbrei. Muitos gastos, nenhum projeto ou plano para investir esse dinheiro, nenhum dinheiro investido na minha música e rolé de segunda a segunda. E o que aconteceu com o dinheiro? Acabou! Óbvio.
Porém, ainda com alguns clientes fidelizados, continuei com as contas em dia e um pouco tranquilo do que eu estava fazendo, mesmo com uma voz dentro da minha cabeça me dizendo que eu era um vagabundo por estar trabalhando de bermuda e chinelo dentro de casa.
E aqui começa a queda...
Quando o Lula me fudeu (rs).
As eleições de 2022 foram chegando perto e nela, o candidato neofascista ainda encontrava muita força no seu eleitorado fiel e, mesmo estando atrás nas pesquisas, conseguia manter os seus ‘seguidores’ fechados em um núcleo duro (o que é base do fascismo na história), já que entre eles, as pesquisas são falsas e o sistema eleitoral brasileiro pode ser fraudado. E foi aí que eu vi que música, política e a minha vida, não poderiam se separar em momento algum. Entre algumas brigas na família, por conta da militância, eu convivi por muito tempo com tranquilidade, porém quando começaram as campanhas político-partidárias eu percebi uma coisa ‘estranha’ entre os meus clientes. Em sua grande maioria, eram apoiadores do fascistinha de merda que já tinha nos desgovernado durante 4 anos. No início, eu entendia que eu deveria separar as coisas, já que era aquilo que pagava as minhas contas, porém ‘[...]se tu vê injustiça com um de nós e tá calada, pô. Tu não fecha com nois, neguin. Tu fecha do outro lado[...]’ e foi assim que eu comecei a bater no ‘mito’ através do meu instagram e entre desculpas financeiras e as mais esdruxulas, como por exemplo: ‘meu cachorro passou mal e eu vou ter que gastar com ele’, eu vi alguns clientes indo embora, mas até então, eu mantinha alguns que me mantinham.
Até que as eleições chegaram, com a graça de mais de 61 milhões, nós elegemos um governante estadista e não um lunático fascista e nesse mesmo dia, um cliente que seria meu ‘décimo terceiro’ em dezembro, me manda uma mensagem no instagram, com o seguinte conteúdo:
‘Cara Você tá fora, não vamos mais fechar os trabalhos de marketing com você, pensamos muito diferente e pra gente não entrar em nenhum conflito , paramos por aqui, obrigado’ - lembrando que eu só copiei e colei, já que eu escrevo corretamente.
Resumindo: perdi um cliente grande, que pagaria meu décimo terceiro e mais algumas contas (era um dinheiro bom) por conta de política. E o que eu acho disso? Acho que enquanto 33 milhões de pessoas passam fome, milhares de Yanomamis morrem em decorrência de uma política de extermínio e o pobre vê cada vez mais os seus direitos sucumbirem, se eu tentasse reverter a situação, eu já estaria errando comigo, com o que eu acredito, com quem luta pelo mesmo que eu luto e acima de tudo, com meu povo.
E foi assim que eu segui, entre rosas e espinhos, trabalhando por um ano sozinho. Passando perrengue, um dia a conta tá paga, no outro, não. Um dia eu como uma pizza pika de R$100 e quando não der, eu dou glória a Deus, porque não falta comida em casa.
E só pra encerrar a história do bolsonarista ali de cima que não sabe nem escrever, hoje ele ainda tá usando – ou tentando usar – a identidade que eu criei pro evento, só que piorado umas 89 vezes, quem quiser entrar aí pra ver, eu vou dizer que é a Expo Tattoo ‘DDD de onde eu moro’. Ah, eu moro em Bauru-SP.
Hoje eu sigo com alguns clientes que, infelizmente, não tão pagando as minhas contar e pra ajudar, fiquei sem celular, o meu deu pau e eu fiquei sem o meio mais necessário de trabalho, pra quem trabalha com o mesmo que eu – inclusive esse espaço está aberto para um pix, o texto deu um trabalhão, o blog da um trabalhão e um pix me apoiaria a continuar fazendo isso aqui (o pix vai tá lá no final do texto). Sendo assim, hoje, segunda-feira, 30/01, fui fazer uma entrevista e provavelmente, tô voltando pro subemprego. Confesso que nesses últimos dias, há um sentimento de falha comigo mesmo, já que no começo de 2022, eu disse que se o primeiro ano passasse e eu conseguisse me manter sem trabalhar fora, eu nunca mais iria, ou seja, pelo que eu me propus, eu falhei comigo.
Como eu concluo? Segue.
E sem lero-lero, sem cutcharra. Eu não tenho medo de entender quando eu cometo erros comigo mesmo, é normal, porém deve parar de ser. Erros ensinam, mas erros também minam o tempo e sinceramente, eu preciso fazer dinheiro o mais rápido possível e eu nem ligaria de morrer no mesmo ano em que eu saísse no ‘Under 30’ da Forbes (sim, hoje é a minha maior ambição). No mais, depois de seis páginas e um pouquinho, eu vou concluir dizendo que música, política e a vida, principalmente a minha e da maioria das pessoas negras e periféricas desse Brasil, caminham lado a lado. A música serve pra inspirar e também pode ensinar ou gerar um interesse por política. A música, a política e a vida, fazem com que nós nos questionemos e é somente isso que move o mundo, o questionamento.
Então pra finalizar, se questione, busque o seu lugar no mundo. Já tem muita gente que tá aqui só pra fazer peso e eu tenho certeza, que você não quer uma terra pesada.
Lute pelos seus iguais.
Ou seremos todos ‘Zé do Caroço’, ou então, iremos todos puxar carroça. Leci Brandão, Favela Vive. Até mais!
Apoie esse humilde escritor, designer e mais um milhão de coisa (é sério gente apoia aí pra eu continuar fazendo isso aqui e agora mais ainda pra eu trocar a bateria do celular e voltar a trabalhar). Valeu, até mais!
PIX: 14991863793 | Marcco Junior | C6 Bank




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