A Segregação Moderna
- Marco Junior
- 19 de set. de 2023
- 5 min de leitura
Hoje é terça-feira, 19 de Setembro de 2023, 16h44.
Terminei o que tinha de trabalho pra cliente e agora vim escrever um texto pro meu blog, que faz tempo que eu não alimento.
O próximo texto seria sobre os primeiros meses de governo Lula, porém ainda tem muita coisa que eu preciso estudar sobre, então quem sabe esse texto saia quando o governo fizer 1 ano.
Mas vamos lá e esse texto, é sobre o que? Esse texto é sobre o nosso mundo de hoje, como o racismo se manifesta nele – inclusive dentro da esquerda – e como o capitalismo e o racismo se ajudam quando o assunto é manter o status cuo.
A internet veio como um grande meio de comunicação que tem o intuito de ajudar a sociedade e realmente, é um meio que ajuda demais, porém também é um meio que ajuda a manter as coisas como estão.
Os grandes ‘influencers’ das redes sociais, normalmente vem do mesmo lugar, com o mesmo dinheiro e com a mesma base familiar sólida e com vários mil reais na conta. E como isso faz com que o racismo se manifeste? Simples.
Cada publicação que você passa no instagram ou tiktok, é um conteúdo ‘feliz’, ou seja, não tem ninguém infeliz nas redes sociais, o que para quem vem das classes menos favorecidas, traz um sentimento de impotência, seguido das seguintes perguntas:
Porque eu não tenho?
Porque eu não consigo?
O problema sou eu?
Será que um dia eu vou chegar lá?
E isso cria uma legião de pessoas que, para se sentir parte do meio, acabam cometendo algumas loucuras.
Vou usar aqui de exemplo, o famoso ‘tigrinho’, jogo que viralizou nas redes sociais nos últimos meses, com a promessa de dinheiro muito fácil. Mas e pra ganhar esse dinheiro fácil? O que você precisa fazer? Simples. Gastar o seu dinheiro.
O ‘tigrinho’ e esses outros joguinhos do mesmo gênero, são nada mais do que cassaníqueis online, que usa de uma certa ‘facilidade’ para gerar lucros e mais lucros para os seus donos e é exatamente isso que o status cuo usa para se manter sempre ‘acima’.
Vários e vários e vários influencers fazem publicidade desses joguinhos, normalmente para milhões de pessoas que os acompanham nas redes sociais, porém devemos lembrar que, esses influencers já estão milionários, receberam (e bastante) para fazer essas ‘publis’ e cara, sinceramente, VOCÊ ACHA MESMO QUE ESSA RAPAZIADA COLOCA O DINHEIRO DELES NA PORRA DO JOGUINHO?!
E assim, muitas pessoas colocam grande parte das suas economias, ou até de seus salários mensais nesses joguinhos, esperando o tão falado ‘milagre financeiro’, desse jeito as pessoas que perdem o seu dinheiro, mantém os milionários no topo e ficam cada vez mais longe de uma vida organizada na questão financeira. E galera, isso aqui está sendo escrito por alguém que perder MUITO dinheiro com apostas esportivas em 2022 e só parou por esse motivo.
Mas porque as pessoas caem nisso? Para simplesmente se sentir parte.
O sentimento de pertencimento gera necessidade nas pessoas, o que faz com que muitas pessoas passem a consumir certo serviço ou produto, simplesmente para ‘fazer parte’ de algum grupo.
Isso também acontece, principalmente com vestuário e festas. A gente explica.
Outro dia eu conversava com meu compadre Rafael, que mora comigo e a gente falava sobre uma loja de tênis, em que os funcionários tinham que ‘dobrar’ (fazer duas cargas horárias no mesmo dia) para bater as suas metas que são altíssimas e então, o Rafael me contou a seguinte história.
Um dos vendedores que trabalhavam nessa loja, tinha o salário girando em torno de R$1.500,00, tirava em média mais R$1.000,00 de comissão, o que dá um salário em torno de R$2.500,00. Porém ‘pertencer a uma classe’ fazia com que esse vendedor comprasse um tênis de R$1.000,00 a cada 3 meses, dividido em 3 parcelas. Ou seja, grande parte da comissão desse vendedor, voltava para o bolso do patrão dele, que pagava mais barato no tênis e além de lucrar em cima da força de trabalho do seu vendedor, também lucrava na venda de um tênis pra esse mesmo vendedor que vivia de gerar lucro pra ele.
Esse sentimento de pertencimento, também acontece do outro lado, em pleno 2023, a gente vê por aí muito playboy que vive por aí dizendo que ‘a vida é difícil’ e pra esses, eu sinceramente, desejo tudo de pior, já que eu não tô no mundo pra ser canonizado.
Como disse meu mano Amiri, na música ‘Linha de Frente’, que ainda conta com Rashid e Don L: “da estética de miséria, esses boy se diz fã do logo. Não sabe o que é nascer e crescer frágil, em mucambo mofo”.
O problema desses filhos da **** desses playboy é que eles arrastam muita gente nossa com eles, principalmente depois que eles começaram a aprender que a extrema direita odeia jovens como eles, mesmo sem se importar se eles são pobres ou ricos – lembrando aqui que eles sempre odeiam mais os pobres, é só ver o caso daquele bando de fudido da Unisa.
Enfim, esses playboys se utilizam do discurso de que devemos nos tratar com igualdade, pra fortalecer os seus privilégios, já que assim, eles podem utilizar de todos os privilégios que os mesmos tem ‘lá no alto’, mas dizer que ‘entende’ a dor de quem tá aqui do nosso lado.
Desse jeito, esses carar entram em nossas comunidades, sequestram a nossa cultura e levam ela à casas noturnas com estruturas gigantes, segurança reforçada e PREÇOS EXORBITANTES.
Uma dessas casas, está localizada aqui, na cidade que eu moro, em Bauru. Eu não vou dizer o nome dela, mas eu quero deixar claro que ela tem ‘nome’ e ‘sobrenome’ com quatro letras cada um e fica localizada em umas das avenidas mais badaladas da cidade.
Nessa casa, o mesmo grupo de pagode que toca em outros locais com entrada a R$15, lá toca com entrada a R$50. A cerveja que custa R$5 no mercado, lá custa R$20. Vamo tomar um combão que a gente gosta tanto? Com um whisky mais ou menos, 6 energéticos do touro e 6 gelos de coco, esse combo sai em média R$200, lá custa R$500.
Marco, mas o que isso tem a ver com capitalismo e racismo? Vamo lá! Vou te desafiar a pensar em uma coisa aqui rapidinho.
Quantos jovens negros que você que tá lendo conhece? Quantos desses moram na quebrada? Quantos desses ganham mais de 1 salário mínimo por mês? Responde pra você mesmo essas questões.
Desse modo, um bando de playboy que até se diz a esquerda do espectro político comete um racismo que não é escancarado, mas que está ali.
Com esses preços exorbitantes, muitos jovens negros que também tem direito a diversão, ficam fora de ambientes ‘badalados’, o que faz com que muitos deles entrem em dívidas grandes (cartão de crédito por exemplo) para se sentir parte do meio.
Nessa hipótese, jovens negros desenvolvem mais problemas psicológicos, devido a cobranças desnecessárias consigo mesmo e mesmo quando conseguem estar nesses locais, como não veem muitos iguais, sofrem de síndrome do impostor, por achar que ‘não merece estar ali’.
Então esse texto rápido e curto, tem o intuito de ser grosso e falar:
Playboyzada bauruense, EU ODEIO VOCÊS! E quem ler esse texto e chegar a qualquer outra conclusão, pode dar as mãos pra vocês e andar do lado de vocês.
Eu? Eu vou continuar desprezando quaisquer coisas que vocês fazem.
Não é por que vocês votaram no Lula contra um facho, que vocês deixaram de ser racistas.
Até a próxima!
Se você acha esse tipo de conteúdo relevante, não deixe de apoiá-lo através do pix.
CHAVE: 14991863793 (celular) Nome: Marco Antonio de Paula Junior
Banco: C6 Bank




Comentários